O site Tá na Área, realizou um levantamento no Portal da Transparência do Governo Federal, e constatou uma verdadeira farra com o dinheiro do Programa Bolsa Família no município de Ingá – PB. Estão sendo beneficiados secretários, familiares de vereadores e funcionários da prefeitura do município. Enquanto centenas de famílias de baixa renda aguardam na fila por uma oportunidade para ter acesso ao benefício do Programa, que é destinado a socorrer pessoas em situação de pobreza.
Dados encontrados no Portal, apontam mais de 10 pessoas ligadas ao alto escalão da Prefeitura e da Câmara Municipal ingaense que estão se beneficiando indevidamente do Bolsa Família, incluindo esposas de vereadores, parentes de secretários e servidores com salários fixos. “O caso levanta sérios questionamentos sobre possíveis irregularidades cadastrais, omissão de renda familiar e uso indevido de um benefício criado para garantir sobrevivência mínima as famílias em extrema pobreza”, diz um trecho da matéria no Tá na Área.
Tharsyla Maria Silveira Monteiro Felix, coordenadora de programas de proteção da prefeitura de Ingá em 2025, é filha da secretária de Ação Social, Emmanuelle Silveira Monteiro Félix, conhecida como “Mana”, além de filha do secretário de Finanças, Márcio Dias Félix, e sobrinha do prefeito Jan de Manoel da Lenha. Tharsyla recebe mensalmente R$ 650,00 do Bolsa Família. A surpresa é que a própria Secretaria de Ação Social é responsável pelo acompanhamento e fiscalização do CadÚnico e dos beneficiários do programa no município.
Bruna Cristiany Caetano dos Santos, agente administrativa da Prefeitura, recebe salário mensal de R$ 1.668,54 e é esposa do vereador Nelinho da Silva Caetano, parlamentar que recebe R$ 8 mil reais mensais. Bruna recebe R$ 800,00 do Bolsa Família.
Maria de Fátima Pereira Barbosa, agente administrativa da prefeitura recebe R$ 1.668,54 é esposa do vereador Antônio da Oficina. Ela recebe salário municipal e ainda acumula R$ 350,00 do programa federal. Já Jeane Lucas Fernandes da Silva esposa do vereador Antônio da Lua, recebe da prefeitura R$ 1.668,54 e um benefício de R$ 600,00 mensais do Bolsa Família.
Um dos núcleos mais controversos identificados no levantamento envolve a família de Charles Lavosier Campos Costa, conhecido como “Charles Lenha”.
Servidor da Prefeitura com salário de R$ 2.572,00, Charles é pai do secretário de Cultura Thales Lamonier Guedes Campos, que recebe salário de aproximadamente R$ 5 mil mensais. Já a esposa do secretário, Barbara Juliane Alves de Pliveira, também é servidora pública municipal, com salário de R$ 1.621,00. Apesar da soma de rendimentos da família, Charles e Barbara aparecem como beneficiários do Bolsa Família, recebendo respectivamente R$ 600,00 e R$ 475,00 mensais.
A lista obtida pelo Tá na Área mostra ainda outros nomes ligados à estrutura administrativa municipal:
Walkiria da Silva Andrade, é recepcionista da prefeitura e irmã da vereadora Walbênia Andrade Félix que é esposa do secretário adjunto de Cultura, Valmir Lopes. Walkiria recebe R$ 400,00 do Bolsa Família.
Josilayne Barbosa da Silva Bitu, que é esposa do secretário de Transportes, Thiago Oliveira Silva. Recebe do Bolsa Família a importância de R$ 800,00.
Ana Maria Ramos dos Santos, é conselheira tutelar com salário de R$ 2.621,00 e esposa de um servidor da saúde com vencimentos superiores a R$ 7 mil reais e recebe R$ 700,00.
Renata Suelen da Silva Oliveira Arruda, que é a coordenadora do setor de pessoal da prefeitura. Recebe R$ 750,00 do programa do Bolsa Família.
Ivamara Barbosa da Silva, é diretora adjunta da rede municipal e esposa de gari concursado da Prefeitura. Recebe R$ 650,00 do Bolsa Família.
Cilene Caetano dos Santos Silva, técnica de enfermagem com salário superior a R$ 3.800,00. Recebe R$ 750,00.
André de Almeida Agra Omenda, odontólogo da prefeitura com salário superior a R$ 3.400,00. Recebe R$ 650,00.
COM A PALAVRA OS ORGÃOS DE FISCALIZAÇÃO
Especialistas ouvidos pelo TÁ NA ÁREA explicam que o Bolsa Família possui critérios rigorosos de renda per capita e exige atualização constante das informações familiares. A omissão de renda ou informações falsas pode configurar fraude contra programa social do Governo Federal.
Diante da gravidade dos fatos, cresce a expectativa para que o Ministério Público Federal, a Controladoria-Geral da União – CGU, o Tribunal de Contas e o próprio Governo Federal, investiguem possíveis irregularidades, favorecimentos políticos e eventuais fraudes no acesso aos benefícios sociais em Ingá.
O escândalo agora coloca sob suspeita justamente aqueles que deveriam zelar pela correta distribuição dos recursos destinados à população mais pobre do município.
FONTE: TánaÁrea
Carlão Mélo
